Uma (muito) Breve História dos Emuladores

Esses dias estava pensando: qual foi o primeiro emulador de videogame da história, quando ele foi criado e quem foi o gênio por trás dessa invenção que permite a uma infinidade de pessoas ter acesso a consoles que nunca conseguiram ou foram esquecidos? A resposta não é tão simples. Parece ser arriscado cravar qual foi o primeiro console que ganhou vida em um computador, mesmo alguns apontando que, ao que tudo indica, o NES teria sido o primogênito. É bom avisar: neste texto não estamos muito interessados nos aspectos técnicos e em emulação nos consoles portáteis. Talvez falemos sobre isso em outro momento. Talvez não. Por enquanto, vamos focar nas marcas mais populares de videogames: Sony, Nintendo e Microsoft.

Qual foi o Primeiro?

Como já adiantei, é difícil dizer qual foi o primeiro console que conseguiu ser emulado, mas a tese mais plausível aponta para 1995, com o iNes, criado por Marat Fayzullin e que, mesmo com o nome sugerindo, não tem nenhuma relação com os produtos da Apple. A ideia de Marat foi basear o emulador na distribuição dos dumps em formato .nes, algo que é utilizado até hoje. Entretanto, se engana quem pensa que com isso todos os problemas foram sanados. Como muitos sabem, o processo de emulação é algo complexo e a qualidade, até por ser o primeiro, não era a mesma do console. Mas claro que esse detalhe não tira o mérito do iNES e tão pouco do seu desenvolvedor.

Rejeição na Indústria

A conta é simples: se você baixa um programa e um jogo, deixou de comprar um console e respectivamente aquele título. Nessa operação, alguém perdeu dinheiro e você sabe quem foi. A Sony, por exemplo, acionou judicialmente os criadores de emuladores de Playstation, mas veja você, pouco tempo depois, começou a usar emuladores criados pela comunidade quando lançou seu Playstation Mini.

A Nintendo, apesar da má fama por ter derrubado vários sites que distribuíam roms pela internet, só se preocupou com os emuladores em si na época do UltraHLE. Depois disso, a gigante japonesa não ligou muito para os programas de emulação. A bronca dela parece ser a pirataria e o uso de seus personagens licenciados por terceiros.

Por incrível que pareça, dentro das três que abordamos, a Microsoft é a única empresa que parece não rejeitar a ideia de emuladores e ir atrás dos criadores, mesmo que o Xbox Original e o 360 não tenham lá programas capazes de rodar para valer os jogos da companhia. Vai ver é por isso que ela, ao contrário da Nintendo e da Sony, ainda mantém um posicionamento neutro.

Nintendo

Cerca de um ano após criar o iNES, Marat Fayzullin resolveu que era hora de tentar outro emulador. O resultado da tentativa? A criação do famoso Virtual Game Boy (VGB), em 1996. Dois anos depois do lançamento do Nintendo64, a plataforma viu surgir o primeiro programa capaz de tentar emular clássicos como Ocarina of Time, Turok 2 e Mario 64, o Project Unreality. O sonho não durou muito tempo e o projeto foi descontinuado, já que os criadores entraram para uma desenvolvedora de jogos para o console.

A maior briga da Nintendo com emuladores chega com o UltraHLE, o primeiro programa que de fato conseguiu rodar algo minimamente bem do 64. A ideia do time por trás do emulador era “simples”: emular as chamadas da biblioteca de programação C em vez de chamadas em linguagem de máquina (Assembly). Pouco tempo depois, outros emuladores baseados no UltraHLE surgiram com a promessas de melhorias, como o Nemu64, Project64 e o Mupen64Plus.

Na era do GameCube e do Wii chegou o Dolphin prometendo levar os dois consoles para dentro do seu computador. Seu desenvolvimento começou em 2008 e continua até hoje, mesmo depois do triste falecimento de sua principal desenvolvedora. Sugerimos que, ao invés de você ler o que a gente tem pra dizer, veja este vídeo em comemoração aos 10 anos do projeto, que vai ser muito mais detalhado que qualquer coisa que escrevermos aqui.

A emulação do Wii U, responsável por muita gente poder jogar o Breath of The Wild, começou com o Decaf, que não chegou a rodar nenhum jogo. Tempos depois surgiu o que seria o grande programa para emular este console: o CEMU. Hoje, ele é capaz de rodar 20% dos títulos sem nenhum problema, 35% deles de um modo “ok” e o restante ainda é um desafio. Seu desenvolvimento segue ativo e a cada nova versão correções e novas funcionalidades são lançadas.

O Switch, último console da Nintendo, ainda não está sendo emulado perfeitamente, nem com o Yuzu e nem com o Ryujinx, mas ambos parecem promissores e estão recebendo melhorias, com algumas pessoas não tão exigentes conseguindo jogar algumas coisas de forma satisfatória.

Sony

A empresa responsável pelos Playstations tem um caso peculiar na história da emulação: a criação do Bleem!, um programa que, ao contrário dos outros, era pago (U$ 29,99) e que tinha por trás uma companhia que incentivava as pessoas a postarem na internet os jogos que funcionavam em troca de camisetas da marca. Tudo isso irritou a Sony, que entrou na justiça, e ganhou a causa fácil. O Bleem! inspirou outra empresa a criar o Virtual Game Station para macOS, que tentou emplacar o esquema de venda, mas não foi muito popular. O PSX também conheceu outros programas como o PSEmu e o PSEmu Pro, responsáveis por criarem o padrão de plugins que é usado hoje em dia no popular ePSXE.

O imortal Playstation 2 teve quatro emuladores conhecidos: NeutrinoSX (2002), PS2Emu (2004), Play! (2006) e o mais popular e compatível deles, o PCSX2, que começou a ser desenvolvido em 23 de março de 2002 e que hoje, já conta com 97.24% dos jogos lançados para a plataforma rodando do começo ao fim. Apesar disso, apenas 14 jogos funcionam perfeitamente no programa (sem nenhum problema de velocidade, áudio ou gráfico): Call of Duty – Finest Hour, Energy Airforce – Aim Strike, FIFA Street 2, Finding Nemo, Freedom Fighters, Guitar Hero II, Half-Life, Ice Age 2 – The Meltdown, Midway Arcade Treasures, Monopoly Party, Rig Racer 2, Silent Scop, Soul Nomad e WWE All-Stars.

Ainda engatinhando, o RPSC3 colocou o primeiro jogo da terceira geração do Playstation para rodar em 2014. Alguns títulos funcionam, mas o desenvolvimento ainda está em fase inicial. Ao lado dele, integram o time dos programas do Playstation 3 o Short Waves, que não chegou a emular nenhum jogo e o Nucleus, que está abandonado.

O sonho de jogar Bloodborne, Homem-Aranha, The Last of Us 2 e outros exclusivos do PS4 no PC ainda é distante, mas em 2017 o pessoal criou o Orbital. O problema é que para conseguir funcionar bem, o programa precisa emular o sistema operacional do console e não há muito avanço nessa área. Ou seja, vai demorar.

Microsoft

O Xbox, sem sombra de dúvidas, é o console mais abandonado pela cena de emulação. Não sei se é falta de interesse ou dificuldade em fazer os videogames da Microsoft funcionarem bem no computador, mas não há nada que rode perfeitamente bem. Para o Xbox original, há a tentativa do pessoal do Cxbx, mas ele ainda está em uma fase muito crua. O 360 tem o Xenia e que está ativo desde 2013, porém, sem nenhum avanço significativo.

O Xbox One não tem nenhum emulador dedicado, até porque seus jogos são lançados oficialmente para o Windows 10 pela própria Microsoft, então não faz muito sentido dedicar tempo e esforço em algo que já está pronto e otimizado para funcionar em computadores.

A cena da emulação é algo mágico e surpreendente. Traz acesso para pessoas que não conseguiram comprar determinados consoles, não têm condições financeiras ou para aqueles que são entusiastas e gostam de estudar hardware. Espero que tenham gostado de mais um especial do NewsInside. Se quiserem ver um post dedicado aos emuladores da Sega, Atari, Comomdore e outros, me avise.

Texto: Amido
Revisão: Paulo Marcondes (Ele é um bom jornalista, mas não tem links ou redes pra referencia, maguê)

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